Espécie · Água doce
Peixe-gato
Ameiurus melas
Os peixes-gato americanos — ictalurídeos como o Ameiurus melas e o Ictalurus punctatus — são invasores de água doce que chegaram a Portugal pela bacia do Guadiana e se espalharam por albufeiras e ribeiras do sul. Este guia cobre o grupo e distingue-o claramente do siluro, outra espécie invasora de muito maior porte.
Ficha de espécie · Equipa Editorial Pesca Portugal · Última revisão editorial:

- Nome científico
- Ameiurus melas (peixe-gato-americano); Ictalurus punctatus (peixe-gato-do-canal) também presente
- Família
- Ictaluridae
- Habitat
- Albufeiras, ribeiras e troços de rio de pouca corrente, sobretudo a sul do Tejo
- Tamanho típico
- Ameiurus: habitualmente entre 15 e 30 cm; Ictalurus: pode ultrapassar largamente esse porte
- Alimentação
- Omnívoro e oportunista: invertebrados, peixe, anfíbios e matéria vegetal
- Estatuto
- Espécie exótica invasora, em expansão no país
- Comestível
- Carne comestível, mas ver as regras para invasoras antes de decidir
Factos rápidos
Identificação
- Corpo nu, sem escamas, alongado e robusto, com cabeça larga e achatada.
- Barbilhos longos à volta da boca — oito no Ameiurus — usados para localizar alimento no fundo e de noite.
- Barbatana dorsal e peitorais precedidas de um forte espinho serrado: a picada é dolorosa e exige avanço no manuseamento.
- Pequena barbatana adiposa nas costas, traço típico dos ictalurídeos.
- O Ameiurus melas tem caudal arredondada e coloração escura uniforme; o Ictalurus punctatus tem caudal bifurcada e, nos jovens, manchas claras no flanco.
- Não confundir com o siluro (Silurus glanis): este atinge dimensões muito superiores, tem apenas dois longos barbilhos maxilares e não tem espinhos serrados nem barbatana adiposa.
Onde é encontrado em Portugal
Os ictalurídeos são nativos da América do Norte. O Ameiurus melas está registado em Portugal desde o início do século XX, sobretudo no sul do país; o Ictalurus punctatus entrou mais recentemente pela bacia do Guadiana e é hoje abundante em massas de água como a albufeira do Alqueva.
Espalham-se por ribeiras e troços intermédios de rio, tolerando águas pobres em oxigénio e com pouca corrente, e ocupam com facilidade albufeiras e braços abrigados.
A expansão é facilitada pelo transporte ilegal de exemplares vivos entre massas de água — uma das razões principais para as regras que proíbem qualquer transporte ou libertação.
Técnicas, iscos e amostras
- Fundo com isco natural: Montagens simples de fundo com lombriga, minhoca, pedaços de sardinha ou caranguejo; é a forma mais eficaz de os capturar, sobretudo ao anoitecer e de noite.
- Pesca nocturna: Os sentidos químicos e tácteis fazem deles caçadores noturnos por excelência: as sessões após o pôr do sol, com isco pesado e odor forte, dão os melhores resultados.
- Ligeiro em ribeira: Nos troços de ribeira e canais, um simples conjunto de bóia ou fundo leve com lombriga captura continuamente os juvenis e subadultos.
Sazonalidade
A actividade mantém-se durante quase todo o ano, mas concentra-se nas águas quentes da primavera avançada ao outono; no Verão, as noites mais quentes são as janelas típicas de captura.
A reprodução ocorre na estação quente, com ninhos em cavidades e cuidados parentais do macho — mais um motivo para prevenir qualquer libertação de exemplares.
Estes períodos reflectem biologia da espécie e não correspondem a datas de defeso; as regras aplicáveis a espécies invasoras estão definidas na legislação nacional.
Pode comer?
A carne é comestível e, nalguns países, apreciada; em Portugal o manuseamento de invasoras obedece a regras próprias.
Nunca transporte exemplares vivos, nem para consumo nem para isco: a libertação e o transporte de espécies invasoras são proibidos.
A decisão de reter e consumir deve respeitar sempre a regulamentação em vigor para a pesca em águas interiores.
Regras e boas práticas: peixe-gato
- Estatuto
- Exótica invasora
- Tamanho mínimo
- Sem dimensão mínima fixada
- Limites de captura
- Águas interiores: limites diários e artes permitidas fixados no edital da zona de pesca.
- Entidade competente
- ICNF — águas interiores
Espécie exótica: a tabela do ICNF assinala condicionamentos específicos à captura e ao destino dos exemplares. Não a liberte noutra massa de água nem a utilize como isco vivo. A espécie é propagada sobretudo pelo transporte de exemplares vivos entre massas de água — nunca transporte nem liberte invasores, nem os utilize como isco vivo.
Veja como funciona a licença de pesca antes de sair para a água.
Os valores acima resumem a regulamentação geral e podem ser alterados por edital regional ou por legislação mais recente. Confirme sempre a informação oficial em vigor para a água onde vai pescar.
Locais relacionados
AlentejoAlbufeira do Alqueva
Uma das massas de água onde a espécie é mais abundante, sobretudo nos braços abrigados.
- Albufeira
Alentejo e AlgarveRio Guadiana
Porta de entrada da espécie no país, com presença ao longo de vários troços.
- Rio
AlentejoAlbufeira de Montargil
Albufeira alentejana com ictalurídeos estabelecidos, pescados de noite ao fundo.
- Albufeira
Secção comercial
Equipamento para pescar peixe-gato
Selecção de material adequado a esta espécie. Secção comercial, separada do conteúdo editorial acima.

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Perguntas frequentes
O peixe-gato e o siluro são a mesma coisa?
Não. O siluro (Silurus glanis) chega a dimensões muito superiores, tem apenas dois longos barbilhos maxilares e não tem espinhos serrados nem barbatana adiposa. Os peixes-gato americanos (Ameiurus melas, Ictalurus punctatus) são mais pequenos, têm barbilhos numerosos e espinhos serrados na dorsal e peitorais. Ambos são invasores em Portugal.
Onde abunda o peixe-gato em Portugal?
Sobretudo no sul: bacia do Guadiana, incluindo a albufeira do Alqueva, e albufeiras alentejanas como Montargil, além de ribeiras e troços de rio de pouca corrente.
Posso libertar o peixe-gato que capturar?
Não. É uma espécie exótica invasora: a libertação de exemplares capturados é proibida. Consulte a regulamentação em vigor sobre o que fazer com a captura.
Posso transportar exemplares vivos para uso como isco?
Não. O transporte de exemplares vivos entre massas de água é proibido e é a principal via de expansão da espécie. Nunca use invasores como isco vivo noutras águas.
Que cuidados ter ao manusear o peixe-gato?
Os espinhos serrados da dorsal e das peitorais causam picadas dolorosas: segure o peixe de modo a evitar os espinhos, de preferência com apoio, e trate qualquer ferida com desinfeção.
A pesca de peixe-gato ajuda a controlar a espécie?
A remoção de exemplares contribui para reduzir a pressão sobre espécies nativas, mas o controlo eficaz exige medidas integradas. Nunca transporte ou liberte exemplares, e siga as regras oficiais sobre captura e retenção de invasoras.
Fontes oficiais a consultar
- ICNF — Pesca em águas interiores e espécies invasoras(abre em nova janela)
Regras aplicáveis à captura e retenção de espécies invasoras.
- ICNF — Lista nacional de espécies invasoras(abre em nova janela)
Estatuto legal das espécies invasoras presentes em Portugal.
Fontes oficiais consultadas / verificação editorial: 2026-09-11. Esta verificação diz respeito às fontes indicadas acima, não constitui garantia de que todas as regras em vigor estão aqui reflectidas.
Como verificámos esta página
Ficha de espécie · Equipa Editorial Pesca Portugal
- Última verificação
- Fontes consultadas
- ICNF — Pesca em águas interiores e espécies invasoras · ICNF — Lista nacional de espécies invasoras
- O que foi verificado
- Identificação, distribuição em Portugal e enquadramento legal do peixe-gato foram confrontados com as fontes oficiais indicadas acima.
- O que não é garantido
- Medidas mínimas, épocas de defeso, quotas e regras locais mudam ao longo do ano e podem ser alteradas depois desta data. Confirme sempre na fonte oficial antes de pescar. Esta página não é aconselhamento jurídico.
Conteúdo da responsabilidade da equipa editorial, segundo a política editorial. Encontrou um erro? Diga-nos e corrigimos com a fonte oficial.

